
.::Ano: 2006
.::Editora: Hyperdub
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.::Lista de Músicas:
1 -
(Untitled)
2 -
Distant Lights
3 -
Spaceape
4 -
Wounder
5 -
Night Bus
6 -
Southern Comfort
7 -
You Hurt Me
8 -
Gutted
9 -
Forgive
10 -
Broken Home
11 -
Prayer
12 -
Pirates
13 -
(Untitled)
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Não conhecia o dubstep até me chegar aos ouvidos este
disco de Burial. Segundo consta, o dubstep é o filho bastardo do
2step, música urbana de Londres virada para as pistas de dança que
começou a ganhar maior notoriedade no início do século XXI, mas que se foi
transformando ao longos dos anos, sendo que um dos seus filhos foi o tão falado
grime.
O dubstep tem origem na zona sul de Londres e é uma música sombria e
misteriosa, essencialmente instrumental.
Misteriosa é também a figura de Burial, dele pouco ou nada se sabe, apenas que é
um amante das raízes do drum’n’bass e que, a dada altura, enviou umas
produções suas para Kode 9 (que dirige a editora Hyperdub, sendo um dos
nomes mais importantes do dubstep) e assim se fez luz, apesar de luz ser
coisa rara de encontrar nesta estreia.
Burial é um disco intenso, carregado de batidas pesadas, nervosas, que
nos transportam para uma realidade algo obscura, onde somos rodeados dum
nevoeiro que não nos deixa ter uma percepção verdadeira do que se passa à nossa
volta, como se todo o clima urbano representado no disco nos entorpecesse a
visão da vida e do mundo.
Para tal, Burial tanto explora minuciosamente todos os recantos mais ínfimos do
dubstep, como se se entregasse a um imenso ambiente industrial, onde as
máquinas nos escondem e nos mostram a cada segundo surpresas que não
imaginávamos; mas também recupera, por vezes, o seu tão amado drum’n’bass
dos primórdios, ou busca algo de novo no negrume do trip-hop.
Este é um disco fantasticamente propício a criar realidades paralelas, como se,
ao ouvirmo-lo, vagueássemos pelas ruas duma cidade fria como Londres, em noites
vazias de tudo, completamente perdidos no meio duma chuva intensa, à espera de
não sabemos bem o quê, com o clima industrial a dominar sempre, até a própria
chuva (“Night Bus”).
No entanto, no meio de tanta frieza, há emoção, dada essencialmente por alguns
dos samples de voz que Burial utiliza no disco, vozes essas que se vão repetindo
até à exaustão, como se ansiassem algo no meio do caos urbano que as cerca. Isto
acontece por exemplo nas belíssimas “Distant Lights” ou “You Hurt Me”, músicas
pautadas por batidas nervosas, como se se cortassem e entrecortassem, de grande
frieza, mas que casa na perfeição com o calor dos samples de vozes utilizadas.
Em “Prayer” recupera a batida de “Teardrop” dos Massive Attack e em vez
de a deixar no ventre materno original, como um feto, deixa-a crescer até a
levar para um meio urbano nocturno, rodeado de fantasmas que não existem, que
não se vêm, mas que de alguma forma de sentem.
Vai ser raro conseguir muitos mais discos assim este ano, com esta vontade de
inovar o estilo onde se situa, e com um ambiente urbano tão intenso, mas de uma
beleza indizível.